Door to Door

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“Door to Door” (Boku wa Nosei Mahi no Top Salesman / 僕は脳性まひのトップセールスマン) é um dorama SP (apenas um episódio, quase um filme para TV) baseado na história real de um dos maiores exemplos de perseverança profissional norte-americano: Bill Porter. Apesar de ter nascido com paralisia cerebral, a doença nunca o impediu de seguir o seu maior sonho, que era se tornar um grande vendedor, o tal do salesman. Claro que ele teve que superar diversos desafios para chegar a ser o número um em vendas da empresa em que trabalhava, além de provar para si mesmo que é capaz. E é nesse ponto que a narrativa de “Door to Door” se desdobra.

A história começa quando Kurasawa Hideo (Ninomiya Kazunari), que também tem paralisia cerebral, está à procura de um emprego com o apoio de sua mãe, que o acompanha em quase todos os momentos de sua vida. Durante a entrevista, todos os funcionários da empresa reparam em sua voz e na dificuldade que ele tem para pronunciar certas palavras, já o descartando para o suposto cargo. No entanto, ele demonstra muito interesse em trabalhar na Kira Kira Company, empresa que vende filtros de água de porta em porta; método considerado antiquado até pela equipe. De tanto insistir, o dono acaba oferecendo uma oportunidade para ele, com a certeza de que fracassaria. A partir disso, o personagem terá que superar todas as suas limitações para alcançar seu grande objetivo: ser um vendedor tão bom quanto seu pai, já falecido, fora um dia.

  • Por que assistir?

☆ Dificilmente você encontrará alguém que diga com todas as letras: não gosto de me emocionar. E aqui não digo apenas o chorar, viu? Mas sim emocionar-se em todos os sentidos: rir, torcer junto e envolver-se profundamente com a narrativa. “Door to Door” consegue isso e muito mais. Ao assistir, me senti extremamente conectada ao personagem, buscando entender o que estava acontecendo e aprender junto. Sim, porque são 1h45 de pura lição de vida, daquelas que dá vontade de tirar a bunda da cadeira e começar a agir. E não pense que é chato por ter um cara lascado e sofrendo, ao mesmo tempo que reage bem às negativas da vida. Tudo é bem articulado e nada cansativo. Verá um dramalhão? Sim, claro. Mas é do tipo que você chora e ri pela sensibilidade das cenas e diálogos/monólogos.

☆ Quando terminei de assistir, fiquei um tempo pensando em tudo que acabara de ver e perguntei-me: o que foi essa atuação do Ninomiya Kazunari? É sublime, verdadeira, convincente e extremamente sensível. Os trejeitos, a voz arrastada, o andar e as expressões são dignas de uma interpretação de nível superior. E, um ponto importante, a narração da história, que também é feita por ele, ficou excelente. Boa parte da qualidade do dorama vem de sua entrega ao papel. Não consigo imaginar “Door to Door” com outro ator como protagonista. Tornou-se essencial por ter feito um trabalho artisticamente belo e conectado ao personagem. Apenas parabéns, seu lindo!

☆ A música tema do SP é “Smile”, do Rod Stewart, que, diga-se de passagem, é lindíssima. Engraçado como a letra e melodia combinam perfeitamente com a história. Já conhecia a música, mas foi uma boa surpresa ouvi-la enquanto assistia ao dorama. Ambos têm uma mensagem forte e exatamente por isso ficaram tão incríveis juntos.

☆ O elenco em si não é tão interessante, mas há personagens que combinam perfeitamente com os atores escolhidos. Higuchi Kanako, como a mãe protetora Kurasawa Mitsue, tem um papel decisivo nas decisões do filho, além de estar ao lado dele nos momentos mais difíceis. Mesmo que tenha aprendido a se virar sozinho desde pequeno, Hideo ainda depende de sua mãe para fazer certas coisas, na maioria insignificantes para a maioria das pessoas, como dar nó na gravata ou tomar banho. Consegui sentir o sofrimento dela pelo olhar triste e cansado. E ela se sente culpada por isso. A atriz transmite tanta emoção que é possível vislumbrar uma relação que ultrapassa a materna. Mais do que mãe e filho, Hideo e Mitsue são companheiros que precisam um do outro para se sentirem completos. Há mais dois personagens que chamam a atenção: Nawa Shinsuke (Watanabe Ikkei), que é o primeiro chefe de Hideo, e Matsumiya Sadao (Kaneda Akio), um funcionário de um prédio que não gosta do que faz e vê em Hideo a força de vontade que não tem. Os dois são muito relevantes para a história e abrem novos caminhos para o protagonista.

☆ Costumo gostar de doramas que explorem doenças degenerativas e incuráveis. Calma, não sou perturbada, hahaha. É que sempre achei importante entender a dor do próximo. Não tenho amigos e parentes próximos que sofram ou sofreram algo do tipo e sou grata, claro. Mas não é por isso que serei ignorante ao ponto de fingir que elas não existem. Elas estão por aí, destruindo e unindo famílias. Sim, porque são extremas ao ponto de desestruturar bases sólidas, ao mesmo tempo que podem reunir pessoas que antes não se suportavam. Temas assim abrem espaço para discussão, debate e reflexão dentro e fora do contexto proposto. O resultado disso pode mudar até nosso modo de pensar e isso é muito válido. Inclusive, por se tratar de uma doença que gera preconceito e estranheza nas pessoas, abordá-la com certo detalhismo é uma forma de mostrar ao mundo quem são os portadores, como eles vivem e reagem aos olhares de repulsa dos outros.

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☆ Não há apelação dramática em momento algum. Todas as cenas são necessárias (infelizmente, isso não se aplica a alguns personagens) e aquelas com teor choroso não forçam a barra.

☆ O download do SP legendado em inglês pode ser encontrado no d-addicts (creio que o torrent deve ter poucos seeders, porque o arquivo é antigo). Há também um filme baseado na história de Bill Porter, “De Porta em Porta”, que está completo e dublado em português no YouTube.

  • Por que não assistir?

☆ Até agora não entendi a real importância da Nozaki Saori (Katou Roosa) para a história. É uma personagem sem profundidade e, pior do que isso, sem propósito nenhum. Tá, ela trata o Hideo super bem e cheguei a pensar que ela estivesse até interessada nele, sentimentalmente falando – fiquei shippando os dois, mas nem rolou. E aí pergunto: qual o problema de mostrar o relacionamento de uma pessoa com paralisia cerebral? Ele tem raciocínio e, assim como você e eu, também tem direito de amar. Poxa, cadê a coragem dos roteiristas? Sei que o gênero do SP não é romance, mas se houvesse algo do tipo, certamente ficaria melhor do que essa “amiguinha” sem graça.

☆ Apesar de ter sido bem roteirizado, acredito que se fosse um dorama renzoku (dorama com mais de um episódio, diferente do tanpatsu, que é apenas um), com uns oito ou 10 episódios, seria possível aprofundar mais as relações dos personagens, inserir outros conflitos e gerar mais reflexão acerca dos acontecimentos. Assumo que sempre espero por um romance entre os protagonistas e aqui não há. Mas isso não quer dizer que o SP seja ruim, muito pelo contrário. Só que é importante deixar claro que se o seu foco for apenas esse, provavelmente não vai curtir.

  • Você também pode gostar de…

☆ Marathon” (マラソン), dorama SP que é remake de um filme coreano homônino. A história gira em torno de Yoshikawa Fumiki (Ninomiya Kazunari, de novo ♥), um adolescente autista que é bom corredor e, aparentemente, deseja participar da maratona local. Guiado por sua mãe e treinador, ele passa por todas as etapas preparatórias até o dia fatídico. Antes disso, a mãe começa a se questionar se é isso mesmo que o filho quer. Afinal, ele não tem discernimento suficiente para certas coisas e muitos acreditam que todo seu esforço vem de sua vontade única em agradá-la. Em ambos (Door to Door e Marathon), existe uma doença que coloca limites nos objetivos do protagonista, a questão é: como superá-los? Não vou contar o final pra não estragar a surpresa, claro. Mas garanto que irá se emocionar!

  • A dorama recomenda ou não?

☆ Sem dúvida nenhuma. “Door to Door” é maravilhoso do começo ao fim. Apesar de alguns defeitos no roteiro e personagens que tomam rumos desnecessários na história, o SP é um tapa na cara da sociedade. Precisamos abrir os olhos para o que realmente acontece ao nosso redor. Sair do próprio mundinho e conhecer a realidade do outro é importante para o crescimento de todos. Deixe o egoísmo de lado e embarque nesse drama sem medo de derramar algumas (ou muitas) lágrimas.

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8 comentários sobre “Door to Door

  1. Jacque, esse é um tampatsu que recomendo para muita gente, tanto que uma amiga minha da TL (tambem Nino-fan) amou “Door to Door”. Claro que não seria 100% perfeito (nao entendi muito a necessidade da personagem da Kato Rosa), mas a interpretação de Neen impressiona.
    Um que recomendaria e foi baseado em fatos reais seria “Ikkagetsu Yumei no Hanayome”, com o Eita e Nana Eikura (fiz resenha deste tampatsu, tambem pela TBS no ano retrasado).
    Beijao, querida!

  2. Oi, Youko. Assisti ambos em inglês e, infelizmente, nunca vi nenhum dos dois legendando em português ou espanhol. Sei que Ao no Honoo tem versão em português, caso queira. De qualquer forma, se eu encontrar, falo contigo. Tô por aqui e no Twitter @jacqueroll 😉

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